27 de maio de 2017

Mínimos Oratórios d'Água



31- dos fiordes -

é campo vasto de paciência
e eu derivo
do cultivo desse desenho para dentro,
em desígnio inelegível
por decreto de descanso,

atrofio o músculo
cético do que já não escrevo
por extenso:

mastigo

e sigo a grafia dos retornos
com o tato sobre os espelhos
moídos de parâmetros.

avanço-me de silêncio
na circunferência nodular
em moldura de resistência.

desato contratos
com as mandíbulas subliminares.

contorno a areia retorcida
na calma discreta das falésias.

vagueio em toques, devoro
com as mãos destroncadas
de uma cegueira infalível,

a máscara abstrata sob o defeito
dos duelos prometidos
na fúria das desistências.

precisarei de incisões
atlânticas mais atentas
de ângulos e lágrimas.

engulo a esperança
porque estou apta
a transcendê-la.

adapto-a ao pêndulo da garganta,
às  glândulas das horas mais salivares,

quando salvarei
nos altares das súplicas
as poucas oferendas:

pequenos hipocampos deixados
nos fortes, nos fiordes da infância,
essa pátria sempre por se fazer.

- de onde hei de buscá-los
até nascer.

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