19 de abril de 2017

dos oratórios d'água...

Não, não é fácil converter a dor
nas curvaturas líquidas do que margeia.
Se havemos de dobrar também
os joelhos da incerteza
sobre a nossa própria areia.

Nessas quebras de sigilo
dos apelos,
do gelo pleno de flagelos
e 'anjos tortos' de outono.

Não é só de tristeza
o roer da palavra revezada
no fundo súbito do hábito.
Itinerante de fraqueza.

É também de lago e enredo.

A rima presa entre os dentes
logo cedo,
diante do que pressente.

É de se romper
ao menos um instante inteiro
da bagagem interior,
e seu granizo...
até chegar ao sorriso estrangeiro
de si mesmo.
Às certezas desossadas na viagem.

Para crer de novo na beleza
das azaleias... quando for hora da ancoragem.

Crer no zelo dos milagres
próprios da noite,
quando os poemas saem para rezar
na correnteza em flor.

E amanhecem!

Joseph Moncada

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